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Curiosidades & Lendas

 “Ver Braga por um canudo”

 

“Ver Braga por um canudo” é uma expressão popular que expressa um sentimento de frustração por “quase” se ter conseguido algo, por ter ficado realmente perto do objetivo, mas não o ter logrado.

Esta expressão tem origem no telescópio localizado no Bom Jesus do Monte, local icónico, com uma vista privilegiada sobre a cidade de Braga. Este telescópio, no entanto, devido à altitude do local e das neblinas constantes, impede muitas vezes uma visualização nítida da cidade.

Outra explicação possível prende-se com o facto de transmitir uma sensação de proximidade à cidade, no entanto, ser algo ilusório, uma vez que não chega a estar realmente na cidade.

 

 

“Abaixo de Braga”

Esta expressão não é muito agradável de ouvir. Tem as suas raízes no Campo das Hortas, onde antigamente desaguavam as águas residuais e dejetos da cidade, uma vez que era uma zona exterior e abaixo da cidade.

Assim sendo, significa que se quer enviar alguém para um local desagradável…

 

 

“És de Braga?”

Esta expressão advém do icónico Arco da Porta Nova. À data em que foi mandado construir (século XVI), já a cidade se estendia para fora das muralhas e a época já não inspirava grande necessidade de defesa, dado que as guerras já não se registavam, pelo que este arco nunca teve porta. Deste modo, os bracarenses ficaram conhecidos por aqueles que não fecham a porta. Assim, quando alguém deixa a porta a aberta é comum ouvir-se: és de Braga?”.

 

“Mais velho que a Sé de Braga”

Esta expressão tem a sua origem na Sé Catedral. A Sé é a mais antiga arquidiocese de Portugal, contando já com mais de 8 séculos de história, apesar de ter sofrido alterações na sua arquitetura ao longo dos tempos.

Assim, dizer que algo é mais velho do que a Sé de Braga significa que se trata de algo muitíssimo antigo.

A Lenda de São Longuinhos de Braga

Na altura das festas de São João, algumas raparigas namoradeiras andam à volta da estátua de São Longuinhos, proferindo orações, com objetivo de apressar o seu casamento.

De acordo com a lenda, um lavrador muito rico, de nome Longuinhos apaixonou-se por uma rapariga chamada Rosinha, e pediu a mão dela em casamento. O pai dela mostrou-se um negociador difícil, e apenas cedeu quando Longuinhos lhe prometeu uma pensão.

No entanto, Rosinha amava outro rapaz, pelo que ficou lívida, quando o pai lhe contou que concedera a sua mão a Longuinhos e não queria perder o negócio que fizera. Rosinha saiu a tremer de ao pé do pai e, chorosa, começou a orar, apelando a São João. Eis que, de súbito, ouve uma voz dentro de si que lhe dizia que tudo se arranjaria.

A voz era a de São João, que dali foi ter com Longuinhos. Argumentou que, se Longuinhos era tão seu amigo, não seria capaz de estragar a felicidade dos dois jovens que tanto se amavam. Longuinhos então caiu em si e compreendeu que, se a rapariga amava outro, e era correspondida, ele não tinha o direito de destruir a felicidade de ambos. E acrescentou:

"- Se me consentes, São João, eu próprio serei o padrinho desse casamento! Sei que precisam de um bom começo de vida e eu me encarregarei disso. Quanto ao meu amor, cá o entreterei até que se desvaneça!"

 

 

Lendas de Bom Jesus

A primeira está relacionada com o aparecimento de uma Cruz, sob o céu do Monte de Espinho, após a Batalha do Salado, no século XIV. O prelado bracarense, de então, D. Gonçalo Pereira, atribui a vitória nesse combate à Santa Cruz, de quem era devoto, bem como seu filho, onde no seu estandarte figurava o respetivo símbolo da Cruz. Porque essa Cruz terá aparecido nos Céus do Monte de Espinho, nas fraldas da Serra do Carvalho, de imediato o arcebispo e os bracarenses acorreram ao local e levantaram uma Cruz e edificaram uma pequena Ermida. O Bom Jesus guarda no seu interior um dos maiores segredos que pela história perdura. Para lá das lendas, dos factos verídicos e de todo o potencial deste fenómeno natural, a devoção à Santa Cruz nasceu espontaneamente. Aí se iniciaram os primeiros passos, se plantaram ideias que brotaram viçosas, se ergueu uma cruz e assim começou uma caminhada devocional que hoje mantém a pujança de outrora.

 

A segunda sobre o aparecimento de um Cálice, na época da restauração da independência, no século XVII. Segundo a cultura popular teria aparecido um cálice rodeado por um esplendor sobre o Monte Espinho. De imediato, o povo acorreu com maior intensidade ao Bom Jesus em sinal de agradecimento. O jugo castelhano contribuiu para a união dos bracarenses debaixo da proteção do Bom Jesus do Monte, bem como para a sua projeção para fora da região. Muitos atribuíram o sucesso da Independência de Portugal, em 1640, e o fim do domínio filipino à intervenção divina. O Arcebispo de Braga D. Rodrigo da Cunha foi um dos principais opositores da incorporação de Portugal em Espanha, apoiando os revoltosos. Por este motivo, não são estranhas as lendas relacionadas com o Bom Jesus e a Independência de Portugal. Mais, duma análise iconográfica dos escadórios dos cinco sentidos e das virtudes sobressai um Cálice, símbolo eucarístico, impercetível para a maioria dos peregrinos e frequentadores da estância, onde se vislumbra, com alguma benevolência, a base, o fuste e a copa.

 

Lenda de S. Geraldo

A lenda de São Geraldo, padroeiro da cidade e primeiro arcebispo de Braga, é a seguinte:

“Encontrava-se S. Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra fria, nos princípios de dezembro cercado no tugúrio onde se refugiara com os seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos ardores da febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga algumas peças de fruta, para apagar a sede e dar um pouco de alento ao seu debilitado corpo.

Contudo, o seu familiar respondeu-lhe que naquele lugar e com aquele tempo invernoso as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia encontrar pelo chão algumas castanhas e nada mais.

A esta observação respondeu S. Geraldo:

- Vai e procura!

Então, por uma frincha da porta por onde estava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao redor do terreiro, estavam recheadas de frutas.”

Por este motivo, no dia de Dia de S. Geraldo, a 5 de dezembro, os altares da sua capela são ornamentados com frutos em vez das tradicionais flores.